"...o véu está posto sobre o coração deles."
Esta semana o Governo Francês multou uma mulher mulçumana por estar dirigindo usando uma burca. A justificativa do Governo para a lei que proíbe o uso de burca e nicab é que estas vestimentas ferem a dignidade feminina. Além de multá-la, o Governo investiga o marido dessa mulher Liés Hebbadj, de 35 anos, suspeito de poligamia (notícias dão conta que ele teria quatro esposas) e fraude por utilizar a ajuda de custo do Governo Francês para mães solteiras em favor de suas esposas. A notícia parece curriqueira e até sem maiores relevâncias. Contudo, ela nos lembra que a razão para esses comportamentos vem da cosmovisão compartilhada por Hebbadj e suas esposas. Metaforicamente podemos dizer que eles vêem o mundo através da burca.
Essa metáfora nos lembra outra. Paulo já se refirira a idéia de olhar o mundo e a vida através de um véu. Seu argumento é que os judeus não conseguiam enxergar a nova aliança que tornara a antiga alinça sem efeito. Tomando a narrativa histórica de Exodo 34 Paulo relembra a atitude de Moisés de cobrir o seu rosto para ocultar o esmaecimento da glória que havia feito seu rosto resplandecer. Para Paulo "até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles (judeus)" (2Co 3.15). Os judeus viam a vida, o mundo e especialmente a Palavra através do Véu , e desta forma suas concepções e consequentemente ações estavam comprometidas.
Se nos é permitido dar continuidade às metáforas, a de ontem e as de hoje, concluímos que burcas e véus não são exlcusivos de judeus e mulçumanos. Mas cristãos ocidentais também possuem suas burcas. Não me refiro à compreensão do Evangelho, pois neste caso contrariaria o próprio Paulo(2Co 3.16), o que é impossível de fazê-lo se cremos na inspiração da Escritura. Mas sob um outro ângulo ou outra ótica não podemos negar que cristãos, e especialmente evangélicos, carregam seus véus e burcas. O mundo, a vida e inclusive a Palavra podem ser vistos pela renda da burca ou pelo tecido do véu. E assim nossas ações e concepções são filtradas por tais entendimentos. As nossas burcas e véus nos tem feito estabelecer usos e costumes, regras e normas como parâmetros de juízo da espiritualidade e até mesmo da fé. As autoridades católicas vêem a pedofilia por suas burcas, os evangélicos vêem a sua cobiça através dos olhos sob suas burcas. Os espíritas véem a sua justiça própria a partir de suas burcas, também.
Voltando a pergunta inicial, o que há por trás da burca? e do véu? Por trás das burcas estou eu e está você. E inevitavelmente vejo a vida e exijo das pessoas que cumpram minha lei, que vivam de acordo com os meus canônes e que se submetam à minha cosmovisão. Espero não ser mal entendido, não advogo o descumprimento da lei de Deus, apenas reconheço a impropriedade das minhas leis e a necessidade de retirar sempre o meu véu e burca dos olhos para enxergar a vida à luz do Evangelho, ou da liberdade em Cristo (2Co 3.12 a 18)
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