Sete vidas (Seven Pounds) é o título do filme protagonizado por Will Smith retratando a vida e a morte de um depressivo algemado ao sentimento de culpa pela morte da esposa. Filme de grandes virtudes, mostra como Bem Thomas (Will) planeja sua morte para salvar 7 vidas. O drama tem seu ápice quando Ben encontra Emily (Rosário Dawson) que lhe dá novamente motivos para viver, no entanto, para salvar a vida dessa pessoa ele precisa morrer. 7 vidas nos mostra o extremo do altruísmo, ainda que motivado pela perda do valor da própria vida.
Sete mortes é o título que dou aqui ao drama, não ficcional, vivido por 6 adolescentes e um esquizofrênico em Luziânia e Goiânia, ambas cidades em Goiás. Diego (13), Paulo Victor (16), George (17), Divino (16), Flávio (14) e Márcio (19), não são personagens de um filme, mas vidas reais que foram interrompidas por Adimar Jesus da Silva, alcunhado como o Maníaco de Luziânia. Por fim, Adimar foi encontrado morto em sua cela em Goiânia, em um suposto suicídio. 7 mortes nos mostra o extremo do egoísmo, embora motivado pela perda do valor da vida, inclusive a do próprio portador desse sentimento.
Enquanto a mídia discute a ação policial, a negligência da justiça brasileira ao libertar um esquizofrênico (assim ele foi diagnosticado), as opiniões psicológicas e diagnósticos psiquiátricos, ou ainda as questões relacionadas à pedofilia e desvios de comportamento sexuais, gostaria de fazer uma comparação entre essas histórias. Uma contraposição sobre a ficção de 7 vidas e a realidade das 7 mortes. Um exemplo de altruísmo exacerbado e outro de egoísmo doentio.
Faço isso para ilustrar outro drama. Aquele que vivemos cotidianamente, aquele que nos incomoda a cada manhã e nos acompanha em nossas curtas noites de sono. O drama que se desenvolve na esteira de nossas dúvidas entre o prazer pessoal e o bem coletivo, entre a contribuição social de minha vida e a minha realização individual. Em geral, nos debatemos nessas dúvidas, e talvez o melhor que conseguimos fazer é atravessar as fronteiras do altruísmo e do egoísmo durante vários momentos de nosso dia a dia. A pergunta honesta é porque nos deprimimos quando dedicamos nossas vidas apenas aos outros? E porque nos violentamos quando dedicamos a nossa vida apenas a nós mesmos?
A resposta? Não sei ao certo. Talvez seja porque Deus deseja que usemos a nossa vida a favor de objetivos maiores que nós (Atos 20.24), sem, contudo, deixar de viver para nós também (Eclesiastes 2.24). Ou como argumenta com muita propriedade Blaise Pascal: “Todas as pessoas buscam a felicidade. Não há exceção para isso. Sejam quais forem os meios diferentes que empreguem, todos objetivam esse alvo. A razão de alguns irem à guerra, e de outros a evitarem, é o mesmo desejo em ambos, visto de perspectivas diferentes. A vontade nunca dará o último passo em outra direção. Esse é o motivo de cada ação de todo ser humano, mesmo dos que se enforcam.”
Vivamos, portanto, tentando fazer de nosso prazer alguma coisa útil para os outros, buscando em outros alguma razão para a nossa alegria. Posso estar errado, mas imagino que o equilíbrio não é viver um pouco do altruísmo temperado com um pouco de egoísmo Nem é perambular entre um e outro, mas viver o extremo do altruísmo, fazendo dele um ato “egoísta”, ou seja, o meu prazer. Esse é o nosso drama, salvar 7 vidas perdendo a nossa, ou destruir 7 vidas, inclusive a nossa?
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